quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Rolando os Dados


Como lidar com o...

Olá senhoras e senhores roladores de dados, começaremos a tratar, de hoje em diante, sobre os diferentes tipos de jogadores e como os outros jogadores – e nosso amigo mestre – deveriam lidar com ele. Desde como aceitar seu “jeitinho peculiar”, até a “colocá-lo na linha”.

Sim, senhoras e senhores, colocar na linha sim, porque alguns tipos de jogadores podem facilmente – ou não – causar desagrados e prejudicar a diversão dos outros integrantes da mesa, e do próprio mestre.

E, para abrir essa fase da coluna, vamos logo tratar do jogador que é o mais odiado, vil, imoral, destruidor de mesas de jogo e ownador de vilões finais.


O APELÃO.



Primeiro:
como reconhecer esse jogador maléfico.
Simples. Em primeiro lugar, ele é o cara que aparece com as regras mais obscuras, escondidas nos livros mais bizarros. Ele faz as multi-classes mais vantajosas no sentido de uma anular os defeitos da outra. Ele faz combos mega-mirabolantes com talentos, vantagens, perícias... o que quer que o sistema permita.
E depois, ele “esquece” as desvantagens de seu personagem.

Sim, sim, porque o apelão sempre ignora os defeitos de seu personagem. Ele pega aquelas desvantagens para conseguir pontos de bônus, e depois “esquece” aquele inimigo/dever/segredo, e segue na campanha se aproveitando de seus enormes poderes. Em D&D e outros sistemas onde não existem desvantagens, o apelão prolifera com maior força, pois ele apenas coleta os melhores talentos/magias/poderes especiais e faz seu personagem não ter defeitos.


Como os jogadores então lidam com o apelão?

De duas formas: ou o aceitam de bom grado, com o lema “pelo menos ele está do nosso lado”, não se importando com o fato de que aquele personagem passa pela aventura sem problemas, enquanto eles sempre correm risco de morte.
Ou então os jogadores se ressentem, porque o apelão parece sempre “roubar a cena”, fazendo parecer muito fáceis aqueles desafios onde os outros personagens foram derrotados.


Então o que o mestre pode fazer para “corrigir” as coisas?

Sim, porque cabe ao mestre fazer com que os outros jogadores não sintam seus personagens inferiores ao do apelão, e, ao mesmo tempo, fazer com que a aventura seja difícil não só para os personagens do grupo, como para o apelão igualmente.

Então mestre, lembre-se que se o apelão pode cavar regras obscuras, você não só tem esse mesmo poder, como também pode DRIBLAR e DISTORCER regras. E você não será condenado por isso.

O mestre também pode simplesmente PROIBIR os combos mirabolantes do apelão, impedindo-o de fazer essas coletas. Em alguns sistemas, restringir o uso de certos livros funciona bastante para coibir o apelão e nivelar o poder da mesa.

Proibir certas multi-classes também é válido, pois o apelão se beneficia das vantagens de duas classes, fazendo com que uma anule as desvantagens da outra, fazendo seu personagem ser “perfeito”. Assim, o apelão normalmente faz um guerreiro/mago/ladrão, se beneficiando dos bons pontos de vida e bônus base de ataque do guerreiro, das magias do mago e das habilidades com armadilhas do ladrão.



Assim o apelão passa sua imagem de auto-suficiente e não tem a desvantagem do pouco alcance do guerreiro, dos poucos pontos de vida do mago e suas magias limitadas, etc.

O mestre faz bem em lembrar o apelão de suas desvantagens, e construir aventuras onde as habilidades dos outros personagens do grupo sejam valorizadas. Cabe também ao mestre construir inimigos que consigam anular os maiores poderes do apelão, ou, até, ter os MESMOS PODERES DO APELÃO.

Sim, porque seus poderes nada mais são que uma ficha, e o mestre pode simplesmente usar um “gêmeo maligno”, com a mesma ficha e os mesmos poderes.

E se o apelão não presta muita atenção e nem dá muito valor à história, faça com que a mesma seja responsável por pistas para que decisões inteligentes sejam tomadas, em situações onde poderes e força não podem resolver o problema.

É... não é muito fácil colocar o apelão na linha, mas é possível.
Em algumas aventuras na vida, me deparei com apelões de todos os tipos, e em alguns casos eu apelei mais que eles, em outros fiz a história prevalecer e na maioria das vezes eu busquei valorizar os outros personagens, para que estes se sobressaíssem.
Ultimamente existe um jogador na minha mesa na faculdade que possui o espírito apelão. Um mago que se encanta lindamente com a quantidade de dano gigantesco que ele causa, sempre se vangloriando de ser o maior responsável pela derrota dos inimigos.

O que eu fiz? Um inimigo imune à magia.

Bom, ficamos por aqui essa semana, e eu espero que tenha sido esclarecedor, instrutivo, ou, pelo menos, divertido (pelas imagens, ta valendo, hehe).

Semana que vem, a missão continua, dessa vez com outro jogador bastante peculiar.

Até semana que vem pessoal.

Que vocês rolem bons dados.

o/

RAFERO'S BEDELHO: Cliquem nas imagens para vê-las em maior resolução. Blogspot must die ¬¬

7 comentários:

Rafero disse...

(Fiz o que pude, amigo ;)
Ótimo texto, ótimas dicas, mas eu acho que podia ter dicas pros jogadores lidarem com essa casta também, algo tipo "Interpreta que nem homem, poha!"
(ah, sei lá, vc que eh o especialista XD)
Outra parada, eu não acho que "apelice" seja uma coisa a ser "corrigida" ou "repreendida"...
Contanto que não atrapalhe a diversão dos outros jogadores (e acho que essa foi a abordagem do seu post), cada um joga do seu jeito, ué.
Aaaaaand, outra coisa, sério, uma boa DR resolve 90% dos problemas... você sabe de quem estou falando.

Danijija disse...

Auhauahuahua, muito bom!
Mas peraí! Se não me engano, o mais apelão ever é o mestre! E não há nada que se possa fazer contra esse cara!

Rodox disse...

@ Danijija - Pode sim!!! Fala pra ele "ô filho... PARA DE APELAR!"

@ Rafero - sim sim, foi essa abordagem mesmo, e a dica pros apelões é "filho, interpreta aí..." rsrs

Kikah disse...

eu naum posso falar nada sobre apelões, simplesmente pq tenho uma personagem de D&D 3ª Edição (e depois c/ a ficha refeita p/ o 3.5) a 6 anos, ela se tornou a coisa mais apelã da mesa da qual eu jogo, sim, na nossa mesa tbm soh tem personagens apelões q foram se tornando assim ao longo das aventuras, eu soh tenho uma coisa a dizer, pelo menos no D&D 3ª Edição, se tornar apelão eh soh uma questão de tempo, pq todo mundo vai fikar overpower um dia...

Rodox disse...

@ Kikah - Mas veja bem, evoluir, ganhar poder e ficar poderoso é o destino de todo personagem que sobrevive, não há nada de errado nisso.
O Apelão já cria seus pesonagens assim, ele não conquista o poder na base do XP e da campanha, ele "comba" regras logo de início. XD

Kikah disse...

@Rodox - ahhh sim, isso ocorreu c/ um jogador dessa fatidica mesa de D&D da qual eu faço parte, o cara entrou na mesa, a gente ja tava d um certo lvl, ele fez um personagem cheio d classe d prestigio, sem quase nenhum defeito e por ae foi, resultado: o mestre teve q por inimigos p/ kebrar ele em algumas coisas das quais ele tinha mais baixo, por consequencia o resto do grupo quase sempre c ferrava mais doq ele, maaas a gente sempre tinha um jeitinho diplomatico d sair dos apuros... e eu naum contra os apelões, desde que naum atrapalhe a mesa...

Rodox disse...

@ Kikah - Hahahahaha, é... o risco do apelão na mesa é atrapalhar a vida dos outros jogadores, mas um bom mestre e um bom grupo resolvem bem a situação (como vocês resolveram).

E não, eu não sou contra apelão, rs, desde que não atrapalhe a mesa XD