terça-feira, 11 de agosto de 2009

Rolando os Dados



Como lidar com...

Olá mais uma vez, senhoras e senhores roladores de dados! Hoje, como prometido, segue a fase da minha querida coluna, tratando dos tipos peculiares de jogadores e como o mestre (e os outros jogadores) podem se adaptar às características do mesmo.

E hoje, vamos tratar do segundo tipo de jogador mais potencialmente "problemático" (atrás apenas do Apelão). E ele seria... *tambores rufando*


O ADVOGADO DE REGRAS

Sim, senhoras e senhores, porque o RPG, além de ser um jogo de interpretação e imaginação, possui livros e mais livros que tratam das regras do jogo. Regras para criar personagens, para causar dano, para resistir ao dano, para escalar, para cavar, para perseguições de carro, para perseguições à pé, para perseguições de nave, para perseguições onde o perseguidor monta um rinoceronte albino e o perseguido um jumento cinza...

É...são muitas regras, e os jogadores não precisam saber todas!! (Nem o mestre, que fique claro!!).

Mas existe um jogador que tem um prazer sádico e cruel, beirando a insanidade, de ler livros e mais livros de regras, guardando todas elas na sua caixinha de memória. Sim, porque o cérebro do Advogado de Regras, em se tratando do RPG, é uma grande livraria. As regras de GURPS, VAMPIRO, LOBISOMEM, D20, 3D&T... TODAS ESSAS MALDITAS REGRAS estão naquela cabecinha!

Mas tudo bem, isso, por si só, não atrapalharia ninguém. Quer dizer, qual seria o problema de um jogador saber todas as regras?

Bom, existem duas vertentes que podem prejudicar a diversão de todos:

VERTENTE NÚMERO 1 - "Então, se demos cada um três ataques, causando 7, 9 e 6 pontos de dano, sendo dois cortantes e um perfurante, e esse monstro ainda está de pé, isso quer dizer que a redução de dano dele deve ser em torno de 5, e ele deve ter uns 25 pontos de vida"

Viram? Na primeira vertente o Advogado, com seu conhecimento das regras, tira um bocado da surpresa que os jogadores experimentam enfrentando o monstro que o mestre colocou em mesa. Ele pode acabar por reduzir aquele gigante do gelo colossal em um monte de números. Sem contar que o Advogado provavelmente leu o livro dos monstros, então ele sabe exatamente as fraquezas do monstro, e suas invulnerabilidades. Mesmo que seu personagem não saiba, ele acaba revelando essas informações pros outros jogadores, fazendo com que a história fique esquisita.

Me recordo de uma aventura que eu mestrava e os jogadores se viram frente a frente com um Troll (bicho tarimbado de aventuras de RPG medieval fantástico). O jogador que controlava a maga elfa rapidamente "grita" - "Trolls regeneram danos, e só não regeneram danos causados por fogo e ácido!".

(Valeu Fábio...)
Não preciso nem dizer que era a primeira vez que a elfa maga via um Troll na vida. Não tinha nada na ficha dela que lhe dava essa informação. Mas o jogador, um advogado de regras padrão, sabia.

(Mas você esqueceu do arremesso de magia, né, seu apelão, rsrsrsrs)

E então, você me pergunta, o que é legal de se fazer nesse tipo de situação?

Bom, por experiência própria, eu gosto muito de usar o Advogado de Regras ao meu favor (tanto como mestre como jogador). Sim, porque com esse conhecimento de regras, raramente eu preciso consultar um livro (melhor perguntar pra ele direto, ora bolas!)

(Valeu Fábio, suas consultas, especialmente sobre GURPS Magia ajudam pra caramba... tá bom, eu não te odeio... não completamente, hehehehehe)

E, como mestre, nos casos onde quero manter a surpresa pros jogadores, por que não inovar? Digamos, fazer um Troll que seja vulneravel à gelo, ou apenas aos ataques perfurantes?

Monstros com variações são muito bons para deixar inclusive o Advogado com a pulga atrás da orelha. Assim, é diversão pra todo mundo, inclusive pra ele!

VERTENTE NÚMERO 2 - "Ei mestre, olha aqui meu mago-ninja-monge-swashbucler-guerreiro-ladino-de-nível-29-que-mata-com-um-olhar, eu juntei todas as regras e meu adversário não tem direito a teste pra resistir, segundo o livro XYZ, página 435, coluna lateral da esquerda"

Ou "Quando o Advogado vira um apelão"

É... com tanto conhecimento de regras, o Advogado pode ir para "o lado negro da força" e se tornar um apelão. E um apelão de respeito, combinando um imenso conhecimento de regras com a sede incrível de poder.

Cara... por experiência de vida: se o Advogado virou um apelão... desencana, continue sua vida como mestre e faça com que esse ser não estrague a diversão dos outros.

Uma boa idéia seria pedir pro Advogado-Apelão ajudar os outros jogadores na montagem das fichas, fazendo com que a mesa inteira fique apelona.

Assim, o mestre pode apelar também, e o desafio fica o mesmo pra todo mundo. E todos ficam com personagens igualmente fortes, assim ninguém sente seu personagem inferior.

É... usar o Advogado em benefício do grupo (e do próprio mestre) é a idéia que eu mais gosto de aplicar em mesa. Dessa forma todo mundo se beneficia, e o Advogado tem várias oportunidades de utilizar seu conhecimento em prol "do bem".

Bom galera, é isso aí. Espero que a coluna tenha sido elucidativa e divertida.

Ah, se você me perguntar que tipo de jogador eu sou, eu te responderia assim: "sou um advogado de regras misturado com um roleplayer e com toques de um historiador... mas esses dois últimos eu explico nas próximas semanas"

Que vocês rolem bons dados.

o/

12 comentários:

Rafero disse...

ESSE eu acho o pior tipo... porque esse realmente não tem como, ele VAI atrapalhar o andamento do jogo, tem nem pra onde correr, pq, qdo vc falar "Como é? Plantar bananeira dah +10 na esquiva?" ele vai parar tudo e pegar o Wathever Compedium 225 e procurar o raio da regra...
e lá se foi a imersão na partida...
E eu acho q vc eh soh advogado, o resto eh maneira pra vc poder advogar sem cair na mesmice =D

Rafero disse...

Aaaaaaah
E, tchi lindinhu vc tentando voltar com o Fabio XD
Oooooow

Rodoxfrog disse...

@Rafero - Po cara... eu sou só advogado... nhum... magoei... U.U

E po, "voltar com o Fábio"? Nunca nos separamos! hahahahhahaha

Kikah disse...

eu ODEIO advogado de regras, noooossa q raiva desse tipo!!! tudo eh motivo p/ parar o jogo e discutir sobre regras... prefiro parar o jogo por piti doq parar p/ discutir regras xD e olha q nas mesas q eu jogo sempre tem um ou dois...

Rodox disse...

@ Kikah - Sim sim, Advogados de Regras menos "legais" costumam parar pra discutir todo tipo de regras no jogo, e isso detona o ritmo da partida!

O lance é conversar com esses "tipos" para definir um "tempo limite" durante uma partida inteira (de duas horas, por exemplo) para dúvidas de regras. algo como uns dez minutos, no máximo. ou então excluir os caras, rsrsrsrs

Marcus Mattos disse...

Po galera ai entra um pouco do "simancol" po se é para ser um jogo para diversão, não rola ficar parando toda hora para discutir regras.Manda o advogado ficar quietinho e segue o jogo...se ele não se tocar vc pode... sei lá né caiu uma pedra de 5 toneladas jogada por um gigante que nunca erra no advogado...e assim a aventura continua. ou ele aprende ou vaia acabar morrendo cedo d+...rsrsr

Sentinela disse...

HAhahahahahahaha....vc eskeceu de um tipo de jogador que vc eh sim....o A-PE-LÃO.......EH ISSO AI ....APELÃO! APELÃO! APELÃO !!!!!

Hehe só zuando....vc só eh apelão "de vez em quando quase sempre".
Mas a sua caracteristica de advogado de regras, essa sim eh muito útil.

Ótima coluna valew. Sua coluna eh uma especie de material didático teórico que eu tenho a oportunidade de usar toda semana e discutir com o autor.....se eu naum aprender assim eu vou desistir.

Sentinela disse...

A propósito......vou contratar um advogado para me defender meu "ponto de vista" sobre "campo visual" hahahahahahahaha...vou mandar ele discutir e vou me esconder no meu bunker...lá eh mais seguro.

haha desculpem a discussão interna mas não resisti.

Rodox disse...

@ Sentinela - Apelão?? Eu??? Ah... que isso, rsrsrsrs

Que bom que o material didático serve pra alguma coisa, rsrsrsrs!

Cara, seu "ponto de vista" sobre "campo visual" pode ser sim defendido por um advogado. Mas cuidado, lá no bunker, pra não fixar seu campo visual num ponto muito restrito e tomar um teco de um sniper bem posicionado!!

Até o/

Rafero disse...

@Marcus ah, cara, se as pessoas tivessem simancol, o mundo seria um lugar melhor XD
@Felipe Já teve coluna sobre apelão cara, acho que foi a primeira dessa série
@Rodox poha, JAH TAH apelando??? dexa o cara em paz na bunker, POHA XD

Rodox disse...

@ Rafero - Hahahahahah!!! Apelei! Headshot!!

Marcio Henrique disse...

Muito boa a coluna... Continue escrevendo que cada vez mais aprendo um pouquinho sobre os tipos de jogadores que não quero ser...