Finalmente!!!
Estreando pra valer agora, Cuícast 01!!!
Entenda essa sigla esquisita! Aprenda como categorizar seus jogos!! Descubra a real utilidade de uma lata de lixo!!!
Baixe, ouça e comente!
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Colunas do Rodox:
sábado, 25 de julho de 2009
Cuícast 01 - E-RPG !!!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Notícias
(Eu tapo buraco postando notícia pessoal e não me envergonho disso >)
Falaí, macacada!
Algumas atualizações sobre o subghadernal procês.
Ahn... algumas pessoas notaram e comentaram que o blog andou desatualizado.
Bem, entre trancos e barrancos, ainda não conseguimos descobrir o paradeiro de nossos colaboradores XD
Quem sabe não faremos uma quest em busca dos mesmos?
Mas por enquanto, só podemos garantir os nossos mesmo (Rodox e eu).
Amanhã tem Cuícast, mesmo que o programa esteja querendo me boicotar... Nossa, quantas e quantas vezes eu já refiz a edição... Mas tudo bem.
Domingo agora estréia o comic do nosso novo colaborador, Mynssen.
Meio que posso considerá-lo um "irmão de jornada", nessa caminhada pelo mundo dos comics.
Temos até o mesmo ídolo, vejam vocês ^^'
E como comentado pelo mesmo, Walking Skull tá parado desde o capítulo 2.
Acontece que eu não gostei da "roupagem" de quadro-a-quadro pra comics mais sérios, então enquanto não migrarmos pro site, ela ficará em hiato.
(Essa migração depende do Samir. Cobrem dele. Ou não.)
(Eu vou cobrar.)
Então, de resto, é isso, continuem conosco; leiam os textos do Rodox, ouçam os Cuícasts e leiam os comics.
Se bem que só teremos comic de qualidade nesse Domingo agora.
Ah, mas me deem uma força, vai XD
Abração pra todo mundo.
\o
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Escuridão e Alvorecer
- Sabe criança... foi mais do que eu poderia imaginar, e menos do que eu esperava...
- Hein? Como assim?
- Uma vez me disseram que sempre é mais escuro antes do amanhecer... naqueles dias eu descobri a verdade nessas palavras...
Os dias na academia começaram de forma duvidosa, pelo menos pra mim. Esperava que os veteranos fossem pessoas de alto moral, de valores bem definidos e que já tivessem dado grandes passos na longa jornada até o heroísmo. Me enganara. Orgulho, vaidade e egocentrismo pareciam ser a regra daquele lugar. Pouco faziam para ajudar os outros, e tramavam brincadeiras ofensivas, que pareciam sempre poder acabar mal.
Em uma dessas, as quais eles chamavam “exercícios de iniciação”, nós calouros, ou S1, precisávamos atravessar um campo que terminava em um rio, e a única travessia em seco era uma ponte estreita. Os veteranos se agruparam na ponte, aguardando os calouros para algum divertimento humilhante. Logo que essa besteira começou, decidi que não passaria pela ponte. Junto com mais alguns calouros, caminhei por trás da ala hospitalar, chegando ao rio sem ser visto pelos veteranos. Para vadear o rio era necessário descer uma pequena ravina. Durante a descida uma menina por pouco não perdeu o equilíbrio, e eu segurei sua mão.
Curioso como a roda do destino funciona.
Vadeamos todos o rio, e não fomos perturbados pelos veteranos nesse dia. Nas semanas que se seguiram, éramos alvo de todos os tipos de travessuras sem sentido, e, aos poucos, fui aprendendo a detestar o lugar. Vários S1 já se reuniam em pequenos grupos, mas eu me relegava à solidão. E essa solidão ficou maior quando recebi uma carta de minha vila natal.
Meu tio adoecera.
Tinha várias falhas, mas era um ente querido. Não conseguia mais prestar muita atenção nas aulas, que a cada dia, para mim, se tornavam monótonas e sufocantes. Fugi. Fugi várias vezes retornando até minha vila natal para ver meu adoentado tio. Perdi diversas aulas nesse processo. Algumas vezes eu simplesmente ficava deitado na cama depois que o Sol nascia... ficava vendo as sombras mudarem de forma no quarto. E via o Sol se deitar. Odiava aquele lugar. Ficava me perguntando se era aquilo o sentido de tudo. Se aquilo era ser herói. Livros, teorias, exercícios sem sentido. Eu via as pessoas na rua que precisavam dos feitos que eu deveria estar aprendendo a realizar. Via os veteranos, que deviam ser um modelo, fazendo coisas idiotas com as habilidades que aprendiam. Via tudo isso e me decepcionava cada vez mais.
Sentia falta dos meus amigos. Não os via há tempos, e a solidão no meu coração parecia fazer cada vez mais apodrecer meu espírito. Treinava sem afinco e, em casa, meus livros empoeiravam. Mais uma vez fugi para ver meu tio. Se pudesse vê-lo, ao menos iria rir com suas piadas e histórias engraçadas. Ou talvez pudesse jogar algum dos jogos que ele gostava, e que passávamos, por vezes, algumas horas jogando. Faria minha semana melhor. Viajei durante pouco mais de duas horas até chegar em sua casa. E lá, como uma sombra que espreita, ou como o mensageiro que carrega notícias ruins, eu soube.
Meu tio falecera.
Saí dali e vaguei sem rumo. Caminhei por uma estrada escura e tortuosa. Sentia dor, muita dor. Meu coração pesava de tal forma que eu só queria sumir. Desaparecer. Os dias que se seguiram eram diferentes tons de cinza. Eu não conseguia rir com os outros. Não conseguia chorar. Não conseguia sentir. Era apenas escuro e vazio. Me consumia a cada dia, e pensei em abandonar tudo e ir para lugar nenhum.
Mas, como eu lhe disse, a roda do destino funciona de maneira curiosa.
Uma tarde, andando pelos níveis do subsolo da academia, indo para uma aula, eu vi luz. Conversamos um pouco. Apesar de tímida, ela me contava sobre as canções que gostava de ouvir, e eu reaprendi a sorrir. Ainda me aproximava dela devagar e, mais tarde ela me confessou, chegou a duvidar por vezes se eu me achava atraído por ela. Fomos escalados para preparar um trabalho e, na biblioteca, nossos olhares seguiam um ao outro. Lá toquei sua pele pela primeira vez e senti um fôlego quente encher o meu peito.
Os dias ali dentro se seguiram. E, a cada dia, aquela luz se fazia mais forte em minha vida. As coisas começavam a ter cor novamente. Eu sorria. Apresentamos o trabalho e não foi nada mal. Mas as provas se aproximavam e eu não me sentia nem um pouco preparado para elas. Comecei a me excluir novamente. O bardo, meu amigo, percebendo isso, sentou-se ao meu lado.
- Meu caro... o que há? Não achou então uma luz pra te guiar? Ou será que não é clara o suficiente?
Ele sorria enquanto falava comigo. Diabos, aquele cara sempre sorria.
- Sim... achei... você sabe que achei. Mas... tirando o fato de que não faço idéia de como vou dizer isso pra ela, ainda tem todas as provas, e eu vou me acabar nelas, e ela vai me achar um fracassado!
O bardo sorriu mais uma vez. E eu pensei em como havia se tornado difícil ficar com raiva dele. Ele me disse que para enfrentar os desafios eu precisaria de coragem. Muita. Porque aquele lugar não me ensinaria a ser um herói. Aquele lugar me ensinaria técnicas e habilidades. Usá-las como herói dependeria de mim. Bem... ele também me deu umas dicas de como eu poderia dizer o que importava pra quem importava. Sorri.
Nos dias seguintes eu lutei. Lutei com todas as minhas forças e, pro meu espanto, fui aprovado em todos os testes. Quase reprovado, é verdade, mas prometi a mim mesmo que não deixaria mais que aquilo acontecesse. Os S1, todos aprovados, se uniram para uma comemoração, um banquete. E, enquanto esperávamos o início da festividade, me aproximei dela. Tinha a pele branca como o alvorecer e eu não tinha visto mulher mais linda que ela em todos os meus pífios anos de vida. Asami era seu nome. E eu me aproximei e sussurrei em seu ouvido.
- Quanto tempo mais preciso esperar pra te beijar?
Naquele dia nos beijamos. Ela era a menina cuja mão eu tinha segurado para que ela não caísse. E, talvez ela nunca tenha notado, foi sua presença que me impediu de cair. Nossos caminhos até hoje não seguem mais separados, embora eu não saiba lhe dizer como a história termina.
Só sei lhe dizer que a amo. E, depois disso, se tornou muito mais fácil sorrir frente aos desafios.
(escrito ouvindo Iris – Goo Goo Dolls)
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Rolando os Dados
Somos de uma geração que aprendeu a idolatrar os vilões. Nos quadrinhos, os heróis que fazem mais sucesso são exatamente aqueles "não muito corretos", ou aqueles "tocados pelo mal". Não é à toa que o Wolverine é tão pupular.
Então, nas mesas de jogos, o que acontece quando os jogadores precisam escolher entre o bem e o mal?
Nas mesas que já joguei e jogo, lidei com os dois tipos de jogadores. Existem aqueles que realmente gostam dos personagens bons, e tem a galera que gosta mesmo dos vilões. Na hora de planejar a aventura, o mestre tem que ter esse tipo de coisa em mente. O que os jogadores preferem?
Afinal, é dever do mestre fornecer a aventura para os jogadores, e que essa se adéqüe às preferências dos mesmos. Assim os jogadores podem se divertir, o que é o intuito do jogo em si. Então, se seus jogadores querem ser bonzinhos, forneça vilões para que eles enfrentem. Se seus jogadores querem ser vilões, então faça-os ver que a justiça irá atrás deles, mas que eles, igualmente, podem ser bem-sucedidos no decorrer do jogo.

Mas por que existe esse fascínio pelos personagens malignos?
Tentando explicar:
Os jogadores enxergam nos personagens malignos aquela chance de “descarregar”. Afinal, nada melhor do que sentir seu personagem poderoso, livre de convenções, livre da moral do dia a dia, totalmente livre pra chutar a velhinha na rua (e não ser condenado por isso, afinal, é só um jogo). Ora, nos filmes, bonzinho pacifista é normalmente taxado de homossexual, enquanto que os caras maus são os sinistros. Mulher do mau sempre é mais sexy. É fácil entender porque atrai os jogadores o lado negro da força. Que, aliás, sempre é mais poderoso que o lado do bem.
Ora, mas se é assim, porque tem tantos jogadores que gostam de jogar com personagens bondosos?
Tento explicar também.
O lado do bem fornece três coisas que o lado maligno não fornece.
A primeira é o desafio. Vencer as situações sem deixar moral de lado, tendo poderes limitados, se sacrificando em prol de outros é muito mais difícil no jogo. É um desafio muito maior, e muitos jogadores gostam disso.
A segunda é a sensação de “estar fazendo algo bom”. Tem jogador que gosta do lado bom apenas pelo “fazer o bem”. É a sensação de que, já que não se pode consertar tudo no mundo real, no RPG pode-se salvar o mundo sozinho.
A terceira, e a melhor, é a glória. Diabos, falem o que quiserem, mas, em se falando de conquistas, quem tira mais onda é sim o cara que derrotou o Império saindo do nada, tendo que resolver várias situações com inteligência, tendo até que às vezes se esconder e fugir pra lutar outro dia, do que o cara que tinha a estação espacial destruidora de mundos (tudo bem, fãs do Vader, eu sei como acaba a história de Star Wars, mas não é esse o ponto).
Agora minha visão puramente pessoal: Eu prefiro o bem que o mal. Gosto muito de ter um per
sonagem que tem poderes limitados, que está em desvantagem e que tem uma motivação nobre para lutar. Joguei algumas aventuras com personagens malignos, e achei bastante sem-graça, porque, convenhamos, o que tem de desafiador em trair a confiança daquele cara que é mais poderoso que você para poder derrotá-lo? Sempre achei muito mais maneiro aquele desafio cara a cara, a tensão do fracasso, e, no fim, arrancar a vitória das garras da derrota. Fiquei feliz nas vezes onde personagens meus morreram para que inocentes fossem salvos, e não me esqueci de nenhum deles. O mal tem seu fascínio, mas, pra mim, jogar com o mal é jogar um jogo no modo fácil, no easy. É até legal, mas não impressiona tanto quanto dizer que você jogou no very hard e venceu.E, pô... quando tudo o que separa seu lutador, seu amigo paladino e seu amigo arqueiro-elfo-alado-berserker da vitória contra a Hidra maligna de sete cabeças são três números “um” em três rolagens de dados de seis faces, a tensão é muito maior do que quando você é simplesmente mau e manda capangas pra fazer o seviço.
Na boa... quando caem aqueles três números “um” seguidos, e você levanta da cadeira gritando “crítico”, pula que nem um doido, ri, fica contente e tudo porque seu grupo era muito mais fraco que a Hidra e a derrotou ali, na moral, de frente, sem traições, sem esqueminhas, sem sacrificar os outros... a sensação é muito boa.
Sim galera, é só um jogo, mas é um jogo que diverte bastante.
Só deixando uma mensagem final: não existe jeito certo de jogar! Se você se diverte mais jogando com um vilão, vá em frente, jogue! O importante é que cada um se divirta na mesa!!
E, alguém mais atento pode me perguntar “mas como você faz quando é o mestre e tem que interpretar os vilões, tramar seus planos e tudo o mais?”
Eu torço pelos heróis.
o/
terça-feira, 21 de julho de 2009
Review Star Wars: The Clone Wars

“A long time ago, in a galaxy far far away...”
(Rá! Não resisti!!!!)
Olá, pessoas que estavam esperando ansiosamente pelo meu próximo review (ou não)!!!
Só pra começar, vou esclarecer certas coisas que possam incomodá-los: não, eu não sou ultra-entendida de Star Wars, o que virá a seguir é a minha opinião e a minha visão sobre essa série animada, sem abordar aspectos técnicos ou visões comuns dos fanboys e (por que não?) fangirls da saga. Apenas assisti a todos os filmes mais de uma vez, acompanhei esse seriado e acho a história fascinante.
Quando soube da estréia de Clone Wars nos cinemas, fiquei meio sem saber do que se tratava e sinceramente não procurei saber. Assim que finalmente havia assistido ao filme, que serviu de episódio piloto da posterior série, não consegui resistir e vi a série toda, além de rever todos os filmes. E adorei o tom que a série trouxe, menos tensão no ar, humor (adoro os droids do Império – então Separatistas – são tããããão idiotinhas!) e temos a chance de conhecer durante um episódio inteiro determinado Mestre Jedi ou alguns clones, a quem finalmente é dada personalidade, sendo alguns até peça chave para o sucesso de alguma missão.
Tanto o filme quanto a série foram produzidos em CG com as imagens em 3D pela LucasArts, que todos conhecem, não é mesmo? Vamos ao enredo. As Guerras Clônicas se passam entre os filmes Episódio II e o Episódio III, tendo sido batizada assim pela participação maciça do exército de clones contratados pela República Galáctica contra as forças da Confederação dos Estados Independentes. Okey, agora parando de falar grego: quando me refiro à República digo o lado dos Jedis e dos clones (sim, aqueles caras de branco e capacete quadrado), e a Confederação/Separatistas) o lado dos Sith e dos droids (sim, aqueles robozinhos amarelinhos e magrelos que só servem pra ficar sem a cabeça e fazer volume nas batalhas). Os grandes protagonistas dos filmes e da série são Anakin Skywalker (como não?), sua Padawan Ahsoka Tano – existente somente na animação – e R2-D2, tendo Obi-Wan Kenobi, Yoda e outros Jedis como “striker” em um ou outro episódio. Do Lado Negro da Força temos General Grievous – que até então não era tão doente, Conde Dooku – felizmente transformado em Dookan no Brasil (Guilherme Briggs que o diga), Asajj Ventress e nosso renomado Darth Sidious.
Os episódios geralmente começam com uma falação desgraçada de meio minuto do narrador sobre como um conflito se iniciou e te jogam direto na intervenção dos Jedis, o que acho uma coisa maravilhosa, vai direto ao ponto. Às vezes a valentona senadora Padmé Amidala dá as caras para dar uns pegas ajudar/atrapalhar Anakin em suas missões, acompanhada do “sempre útil” Jar Jar Binks (é, lembram-se do orelhudo que só fazia M na nova trilogia? Pois!) e de seu fiel droid C3PO. E eu não poderia deixar passar as batalhas, tanto corpo-a-corpo quanto das espaçonaves, que são fluidas e muito boas.
Muito a se dizer, mas tentar evitar spoilers num review de Star Wars é meio complicado… ainda que as pessoas não conheçam verdadeiramente a história, Darth Vader é praticamente um ícone pop! Assim, não tenho muita certeza do que possa ser um spoiler ou não. Juro que me esforcei em deixar essa coisinha aqui agradável de se ler e spoiler free. Eu também gostaria muito que os que não tiveram a chance de conhecer a saga, o fizessem. Como eu disse anteriormente, é fascinante (opinião suspeita vindo de uma quase nerd). E em Setembro vem a Segunda Temporada! Vejam a primeira enquanto há tempo, sinto uma grande perturbação na Força...
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“There is no emotion, there is peace.
There is no ignorance, there is knowledge.
There is no passion, there is serenity.
There is no death, there is the Force.”
“May the Force be with you, always.”
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Retratos da Perdição
quinta-feira, 16 de julho de 2009
A Flor de Fogo e o Mar
- Quer dizer que o senhor foi reprovado? Como assim?
- Sim criança... eu não estava com o espírito preparado para aquela seleção, e, assim, fui derrotado.
- Mas... como o senhor foi aprovado então?
- Tudo começou com um naufrágio...
A praia tinha as areias mais brancas que já havia visto, e, ao leste, como que emergindo da areia, uma grande pedra, da largura de uns quatro homens, e da altura de uns dois. Sua base cheia de cracas e musgos. Eu estava sentado sobre essa pedra. Desde que a descobrira, duas semanas depois da seleção onde eu tinha sido reprovado, passava horas e mais horas contemplando o mar. Aprendi a amar o ir e vir das ondas, e fechava meus olhos, sentindo a brisa leve de maresia no rosto. Enquanto observava, meu coração viajava em pensamentos intrincados. Como eu deveria treinar, como deveria proceder.
Foi quando avistei o Fortuna.
Uma grande fragata era arrastada pelas águas além da barreira de corais. Seus mastros estavam quebrados e suas velas rotas. Seus cordames partidos, e o vento fazia o pano se agitar tal qual os cabelos de uma mulher. A nau se aproximou da barreira e os corais abriram buracos em seu casco. Me levantei. Pude ouvir uma sirene ser tocada à bordo, e um barco de madeira com uns seis tripulantes tocou a superfície da água. Os homens remavam com força e acreditei que se salvariam. Foi quando estremeci. Uma mulher de cabelos vermelhos estava se afogando, e os tripulantes a ignoraram. Remavam pra longe, e ela se agitava, sua cabeça submergia por segundos, e retornava a emergir.
Tirei minhas botas e comecei a nadar. Precisava ajudá-la de algum jeito. Eu não era muito bom nadador, mas momentos de desespero acabam resultando em medidas desesperadas. Consegui chegar até ela, guindando-a com um dos braços, e comecei a nadar de volta para a areia. Por duas vezes no trajeto engoli muita água e pensei que iria morrer. Feri minha perna direita nos corais, mas consegui chegar com a menina de cabelos ruivos até a areia. Vomitei. Olhei para o mar e vi o barco de madeira quebrando-se contra os corais. Nunca soube se aqueles seis homens se salvaram.
A menina estava bem. Abalada, mas bem. Ficou chocada com a quantidade de sangue que saía do corte em minha perna, e, para falar a verdade, isso também me preocupava. Usei minha camisa para estancar o sangramento, e a levei até a estalagem que meu amigo bardo tinha conseguido para nós. Era um quarto pequeno, onde já nos apertávamos meu amigo e eu. A menina tomou um banho e foi para o quarto. Após me banhar, entrei no quarto e a vi, sentada em minha cama. Chorava. Seus cabelos caíam por sobre seu rosto, e a camisa que eu lhe emprestara ficara grande como um vestido curto. Cobria suas coxas com meu cobertor.
E era linda.
Sentei-me ao seu lado. Sentia dor por causa dos pontos que o bardo havia feito para costurar a ferida em minha perna. Olhei-a longamente até conseguir falar.
- Fica calma menina... não chore... você perdeu gente querida naquele barco?
Ela me olhou, e pude ver raiva em seus olhos. Me disse que havia se livrado finalmente de pessoas que a maltratavam. Não lhe davam valor, fizeram com que ela, por várias vezes, tentasse acabar com sua própria vida. Mas agora o mar a havia libertado e eu a havia salvo. Seu olhar ficou tenro de repente, e eu corei.
- Qual seu nome meu salvador – Sorriu – e o que você faz da vida?
Lhe disse meu nome, e disse que queria ser herói. Ela sorriu disso, um sorriso bonito e meio malicioso ao mesmo tempo, com um traço de pureza. Nunca encontrei alguém que sorrisse como ela nos meus anos seguintes.
- E qual seu nome menina?
- Lucille. Mas você pode me chamar de Lucy.
Naquele dia voltamos à praia, e os restos do Fortuna já chegavam na areia. Lucy buscou um grande pedaço de madeira. O melhor e mais grosso carvalho que já vira. Mandou que lhe ajudasse a recolhê-lo, e eu o fiz. Levamos aquele pedaço de volta pra estalagem e ela me disse que eu deveria fazer uma nova espada, já que lhe contara que minha antiga apodrecera. Por semanas talhei a madeira até o trabalho estar terminado. E quando eu terminei, ela usou minha faca para talhar diversas runas por toda a extensão da arma. Ficou linda, mas ela se recusou a me dizer o que os símbolos significavam.
Foram alguns dos melhores meses da minha vida, os que se seguiram. O bardo me levou a conhecer diversas mulheres, que me mostraram prazeres que eu só havia ouvido falar. Lucy tornou-se minha melhor amiga e, por várias noites, vimos o sol nascer, perdidos em conversas e risos. Arrumei muitas brigas pela cidade, minha espada estando sempre comigo. Ajudei as pessoas que precisavam em tudo o que eu pude, e, mesmo que não tenha feito nada grandioso, o sorriso que eu recebia em pagamento fazia com que eu ganhasse o dia. Fui aos festivais, teatros, feiras. Foi um ano muito bom.
Antes que eu pudesse sequer pensar sobre o novo processo de seleção para a Academia da Federação, ele já se fazia presente. Lucy me desejou boa sorte, e o bardo riu e disse que eu não precisaria.
Naquele ano eu fui o vigésimo sexto a ser aprovado. Em todas as lutas eu sorri. Dispensei o escudo e lutei apenas com minha espada. Em cada luta me lembrava dos risos, dos momentos bons, lembrei dos meus amigos e da luta contra os goblins, lembrei de como éramos crianças com sonhos.
Naquele ano aprendi que dedicação e esforço são muito importantes para alcançar um objetivo, mas se o espírito não sentir prazer na empreitada, ela será muito mais difícil de suportar. Naquele ano entendi que mais importante que saber é acreditar.
Naquele ano relembrei como sorrir frente às adversidades.
(Escrito ouvindo The Unforgiven - Metallica)


















