quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Selo - Capítulo 1

Um reino é assolado por um mal, e um jovem cavaleiro parte para enfrentar o perigo. Sua jornada de volta será tão perigosa quanto a de ida? E que mudanças terão acontecido em seu amado reino durante sua ausência?




***************************************** Voltando pra Casa *********************************************



Há anos o reino de Korhal sofria.

Tinha sido um reino próspero em sua fundação e mais ainda quando uma imensa torre surgira no horizonte. A torre era a morada de um velho mago, muito poderoso, e ele iniciou um processo de trocas comerciais com o reino, fazendo ambos prosperarem. Foi assim por décadas e décadas.

Até que o rei percebeu que tinha confiado na pessoa errada.

Começou com desaparecimentos na Floresta Alta. Lenhadores começaram a não retornar para seus lares. Suas esposas recorreram ao rei, e os Filhos de Korhal, a guarda de elite, se prontificou a descobrir o que se passara.

Dez partiram. Espadas e escudos, armaduras e cavalos. Três voltaram com a notícia fúnebre. A mata estava agora infestada por criaturas mortas-vivas e bestas invocadas por magia. O mago que vivia na torre era um necromante.

Assim se iniciou o sítio aos muros de Korhal. Noite após noite os muros eram atacados. Cada cidadão era um soldado defendendo a cidade, e a guarda de elite se postava também nos muros, todos lutando como iguais, pelo mesmo ideal. Mas mesmo que as criaturas nunca tenham conseguido penetrar as defesas da cidade, haviam baixas. Soldados, aldeões e guardas davam suas vidas pela segurança de todos. E cada soldado morto era uma criatura a mais na armada invasora.

E matar aqueles que foram um dia seus amigos, amantes, colegas, mães, pais, irmãos, estava destruindo a alma do povo.

O desespero tomara as ruas, e o rei, em seu palácio, olhava para sua linda filha e temia que algo de ruim acontecesse com ela. Pois, apesar de rei, era também ele um preocupado e atencioso pai. E aquele homem imponente, em cada uma de suas noites mal dormidas, rezava pra que os deuses lhe mandasse um aviso, uma solução.

Foi por isso que, quando um jovem cavaleiro se apresentou no salão real e clamou para si a missão de viajar até a torre do mago, sozinho, e derrotá-lo, o rei deu graças aos céus e o enviou, trajando cota de malha e elmo, armado com espada e escudo, na companhia apenas de um cavalo branco.

Se o rei tivesse pensado mais, se não fosse ele mesmo, em segredo, também um cidadão tomado pelo desespero, se não fosse ele também um temeroso pai, talvez tivesse reunido uma guarda maior, com seus melhores soldados para ajudar o jovem cavaleiro. Assim, quem sabe, a missão teria uma chance maior de sucesso.

Mas o rei em nada disso pensou, e o jovem partiu.

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Deixara seu lar há três ou quatro semanas, não sabia ao certo. Cavalgava lento, se apoiando em Rhano, agarrando-se à consciência. Sua pele era morena, e seus cabelos curtos e negros. Sua cota de malha estava rasgada em vários pontos, os anéis metálicos imprestáveis. Usava uma libré branca por cima da cota, com o símbolo de seu reino às costas. O escudo e o elmo tinham se quebrado na torre, e o jovem tinha cortes pelo corpo, que doíam a cada trotar do cavalo. Sua espada pendia ao lado de seu corpo, ainda segura por um punho que, a despeito da enorme provação pela qual passara, mantinha-se firme.

Conseguia ver a cidade à sua frente, e calculou, por um momento, que cavalgaria ainda mais seis ou sete horas. Iria rever seu povo e lhes contar as boas novas. Lograra sucesso em sua missão. Fora difícil, e por vezes ele pensou que não conseguiria, mas um desejo em seu coração queimava, e, graças ao desejo, ele estava retornando. Sabia que teria pesadelos por semanas. As criaturas grotescas e crueldades que viu na torre ficariam gravados em sua mente, talvez pelo resto de sua vida. No alto da torre uma câmara, onde algo que um dia fora um homem estava sentado em um trono.

Alto, majestoso, frio, cruel. Um necromante.

Nada antes em sua vida lhe assustara mais que aquele encontro. O jovem usou todas suas forças na batalha e, ainda não sabia ao certo como, saíra vitorioso.

De todos os saques possíveis na torre do mago, o jovem cavaleiro tomou para si apenas duas coisas. Um escudo, para substituir o próprio, despedaçado em um embate contra uma quimera, e um elmo, pois o seu fora quebrado pelo próprio necromante. Seu rosto carregava também cortes onde os feitiços haviam lhe atingido. Não fosse seu elmo, teria sido decaptado.

Sabia que a torre deveria esconder muito mais riquezas, mas seu espírito estava cansado demais para ser ganancioso. Que o povo e os outros soldados se refestelassem em saques, seu trabalho já estava feito.

Não tinha derrotado todas as criaturas da torre, tendo escapado delas diversas vezes durante sua jornada. E agora voltava para casa, em fuga. Monstros cheios de ódio e vingança por seu mestre morto desejavam, obsessivamente, trazer morte àquele cavaleiro que ousara enfrentá-los. Rhano cavalgou como o vento, é verdade, e o jovem agradeceu aos deuses por cada trotar, cada corrida, cada passo a mais. Não lhe restavam forças para outro embate, ele pensava. Precisava chegar em casa. Precisava descansar.

Precisava vê-la.

Vendo a cidade à distância, o cavaleiro forçou a si mesmo e ao cavalo a seguirem adiante. Mais algumas horas, pensou. Mais algumas horas e estarei seguro. Mas a vida parece pregar peças com todos, e não foi diferente com aquele rapaz. Pois o reino de Korhal não sofreu apenas com as crias do mago, nesses últimos anos. As estradas há muito não eram patrulhadas. Todo o contingente de soldados do reino estava nas muralhas, de forma que diversas criaturas asquerosas e oportunistas atuavam nas estradas como salteadores.

E o jovem se viu presa de dois deles.


Goblinóides bárbaros. Criaturas repugnantes, dotadas de força muito maior que a de um ser humano, um faro potente e sede de sangue. O jovem acelerou o trote do cavalo, mas a passagem na qual se encontrava favorecia seus perseguidores, que correram pelas colinas abaixo, saltando sobre o cavaleiro.

- Não vão me matar sem luta! - bradou - Não sobrevivi à torre de um necromante para ser abatido por vocês!

Era uma boa bravata, e se ele estivesse descansado, sem ferimentos e com sua espada afiada, aqueles orcs seriam rechaçados com certa facilidade. Ele era, afinal, um cavaleiro treinado pelos melhores de Korhal.



Mas a situação não era ideal, e ele, à duras penas, aparou um golpe de machadinha com sua espada pesada, girou o cavalo em torno do próprio eixo, e atacou. Foi um corte certeiro no peito de seu perseguidor, que não mais viveria. No entanto, o giro o deixou de costas para o outro e isso lhe custou um corte de faca no flanco. Anéis da sua cota já avariada foram danificados, e ele sentiu seu sangue brotar.

Concentre-se, disse para si mesmo, tentando ignorar a dor.

Instigou Rhano para cima do selvagem, que foi obrigado a recuar para evitar o pesado cavalo de batalha. Esse recuro o fez se desequilibrar, e o jovem desferiu um golpe preciso em sua garganta, lavando o chão com o sangue negro.

Antes então que pudesse comemorar uma vitória, ouviu a canção da harpa da morte. Um arqueiro disparava flechas de cima do morro à sua esquerda, e o jovem ouviu o distinto tom que a corda do arco emite quando é solta depois de ser tensionada. Encolheu seu corpo na esperança de que as flechas não o atingissem, embora sequer as tivesse visto.

Aquele segundo pareceu uma eternidade, até que ele ouviu o barulho da seta atingindo o solo. Momentaneamente aliviado, ergueu seus olhos e divisou o alto do morro. Era estranho que um arqueiro bem posicionado errasse um alvo tão fácil quando um homem em um cavalo.

- Você está atrasado Khalembar, - disse uma voz doce e severa sobre o morro - e você bem sabe que eu odeio os seus atrasos.

E, pela primeira vez em dias, Khalembar sorriu. E, de repente, grande parte de suas dores deixou seu corpo. Lá estava ela, com sua espada em punho, trajando sua armadura. Um fio de sangue escorria pela lâmina e, no chão, aos seus pés, um arqueiro morto.



Nossa, como sentira saudade. Ela continuava linda, e sorria, carinhosa.

- E essa é a sexta vez que você salva minha vida, Michelle. Eu devo ser mesmo um cara de sorte. - sorriu - Ande, vamos voltar para o reino. Preciso descansar e tenho boas novas a contar para o rei.

O semblante da jovem adquiriu um tom tenso.



- Que bom que tem boas notícias Alex... porque passamos por uma hora sombria. O Selo foi quebrado.

E que os deuses nos ajudem, pensou Alexander Khalembar, pois ele se lembrava bem das histórias sobre a última vez em que o Selo fora quebrado.

Ele se lembrava bem de quando perdera seus pais.



Continua...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Rolando os Dados



Continue rolando os dados e entenda a mente do "Historiador"



E olá mais uma vez, amigos e amigas roladores de dados! Continuamos juntos na longa jornada que abrange os tipos diferentes de jogadores que nosso grande hobby atrai, suas peculiaridades, potenciais probleminhas e como lidar com isso tudo da forma mais divertida possível, afinal, é pra isso que o RPG serve!

E hoje, homenageando mais um jogador integrante da mesa onde eu sou mestre (na verdade, quase dois, rsrs), o subtipo em foco será...

O HISTORIADOR

Exato senhoras e senhores, porque o RPG é, acima de tudo, um jogo de imaginação e de contar histórias, sim sim. E existe um tipo de jogador que quer exatamente isso. As histórias.


Esse singelo jogador não se importa muito com poder, não esquenta a cabeça se seu personagem morre, ou até se o vilão acaba vencendo, desde que a história seja boa. Ele evolui o personagem de acordo com a forma como a história evolui. Ele quer mesmo é que as coisas que aconteçam na mesa sejam memoráveis. Se seu personagem morre, mas com isso ele conseguiu ajudar a história a prosseguir, salvando seus amigos da morte. Ou, quem sabe, sua morte foi em uma memorável luta com dezenas de monstros, ele acha superlegal.

Poder? Ele não esquenta muito a cabeça com isso, e, normalmente, escolhe um item do tesouro se aquele se encaixar com o histórico do seu personagem. Não importa se a espada vorpal gigante +4 do tesouro está disponível pra ele. Diacho, o machado que ele usa é a última coisa que seu falecido pai deixou com ele, ele não vai parar de usá-lo!!

Você pode me perguntar como reconhecer o historiador. Eu lhe respondo: Normalmente ele é aquele jogador que passa a aventura inteira fazendo anotações. Sério, tenho um jogador na mesa que anota TUDO que se passa na aventura, como se fosse um mega-diário de seu personagem (ou sua “memória”, como a gente brinca lá). Esse tipo de jogador acaba sendo um ótimo auxílio pro mestre em campanhas longas, afinal, ele sempre terá as anotações do que ocorreu em cada dia. Uma grande mão na roda!

Como sempre, nem tudo são flores, e o historiador também pode ser um tanto “inconveniente” nas partidas, necessitando de um trabalhinho de adaptação tanto por própria parte, quanto por parte dos jogadores e do mestre.

Acho que o maior “inconveniente” do historiador é sua necessidade de eventos memoráveis. Não dos eventos em si, mas da lembrança dos mesmos.


Vejam bem: imaginem que um jogador perde seu personagem durante uma travessia pelas montanhas. O grupo foi atacado por gigantes do gelo, e o guerreiro ficou pra trás, para defendê-los e garantir sua passagem. Sua batalha foi grande, mas, no fim, ele foi derrotado e morreu. Graças ao seu sacrifício, os heróis poderão continuar sua jornada e salvar o mundo.

Muito bom né? Um prato cheio pro historiador. Que pode ficar muito frustrado (e até com razão) se aquele seu sacrifício heróico for simplesmente esquecido lá pra frente. Nunca mais for mencionado, na aventura, fazendo com que tenha sido “mais um”. Seria interessante o mestre fazer uma pequena homenagem pra ele, talvez citar, posteriormente, que aquela montanha foi batizada com o nome do guerreiro, etc. Coisas pequenas assim já agradam seu historiador de plantão.

Outra coisa meio chatinha é quando o historiador também é o que eu chamo de “purista” ou “realista-nato-incoerente”.

Explico: O purista é o jogador que torce o nariz pro fantástico. Ele acha super normal bolas de fogo explodindo, armas mágicas vorpais e invasões de demônios saídos do multiverso. Mas coloque uma situação acrobática ao extremo, como ser arremessado na parede por um gigante e querer rodar no ar, para bater na parede com os pés, tomando impulso pra saltar, da parede, de volta pro gigante, e ele dirá “impossível! Heresia!”.

O grande problema de juntar o historiador com o purista é quando o cenário da aventura é um cenário realista/histórico. Imaginem uma aventura travada na segunda guerra mundial. Imagine então que os jogadores são soldados aliados que desembarcam na Normandia. Daí o mestre resolve colocar um Panzer na saída da praia, atacando os barcos americanos. Aí o historiador purista grita “ei! Não haviam Panzers no desembarque no dia D, ficou maluco?”


Cabe ao mestre e aos jogadores lembrarem nosso rapaz que É SÓ UM JOGO! E distorcer a realidade faz parte! Tudo por uma boa história (cara, diga isso pra ele e você acabou de ganhá-lo, pelo seu lado historiador, hehehehehe)

Bom galera, é isso. Esse post é mais curto mesmo, porque eu tenho pouca coisa pra falar mal do historiador. Hehehehehehehhe. É um tipo de jogador que eu gosto bastante, e tenho características dele (principalmente jogando com um certo ranger e seu companheiro animal meio-warg).

Que vocês rolem bons dados!

o/

Desculpas

Apenas pra esclarecer, prestar contas e pedir desculpas.


Falaí, meus amores!
O bicho tá pegando...

Depois de uma série de acontecimentos estranhos com toda a equipe SubGhadernal, ficamos aí, todos estes dias sem post, os meus inclusive.
Estes acontecimentos incluem um modem queimado, uma caravana pernoitante, um evento típico fora de época e dois desaparecimentos inexplicáveis.

Eu acho isso uma m#rda, porque parece que o blog "esfriou", mas tenham certeza: as criações continuam a todo vapor, só estão para serem finalizadas.
Ainda teremos a conclusão de Walking Skull, a continuação de Lil, os sempre presentes reviews de séries, animes, filmes e jogos, mais da coluna game-saudosista, sem contar com os reformulados contos.

E, claro, mais tiras, comics e muita loucura da minha parte.

E, dentro em muito breve, o retorno do Cuícast, mais bem trabalhado, mais bem editado e muito, mas muito mais louco!


Novamente, desculpas por toda esta palhaçada de falta de posts. Vou tentar retomar o hábito dos "tapa-buracos".


Bjunda no coração de todos vocês e obrigado pela paciência.
Eu sei que vocês estão sendo pacientes.
Tenho certeza.



Estão, né?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Dois Gumes

- Nossa... o senhor derrotou um dragão...
- Bem... em defesa dele, não era um dragão adulto... além do que, eu não estava muito... “dono de mim mesmo”
- Mas, mesmo assim... nossa... sua espada é muito forte...
- Sabe criança... o gume que protege pode ser também o gume que machuca...


Depois de vencer o dragão as coisas mudaram.

Os dias novamente eram arrastados, e parecia que enxergar aquilo que eu poderia ser tinha causado problemas ao amor que eu partilhava com Asami. Por um lado ela sentia medo daquele “eu impulsivo”. Por outro lado, eu me sentia estagnado, como se um negror corroesse meu espírito.

A Academia cada vez mais cobrava de nós alunos, e, ao passo que eu ficava cada vez mais sem me importar com as coisas, Asami ficava cada vez mais preocupada e nervosa. Brigamos diversas vezes por isso, e os sorrisos me faziam cada vez mais falta. Sempre quis que ela se divertisse mais com os estudos, mas, acho que por inexperiência, cada vez que eu lhe dizia para ter calma ela interpretava como uma bronca, ou uma repreensão.

E foi assim que me vi mais uma vez em um dos testes. Eu trajava uma armadura de batalha, pesada, que beliscava minha pele. Portava uma grande espada montante e um elmo que limitava bastante minha visão. Asami com seus trajes clericais e seu báculo. Meus outros companheiros armados e prontos para a batalha.

E, mais uma vez, foi um teste árduo. Companheiros caíram naquele dia, exaustos. Armaduras se partiram, machados empenaram, lanças se quebraram. O peitoral que eu vestia trincou-se por diversas vezes, a cada golpe que eu me postava na frente de Asami para defendê-la.

Minha espada já pesava muito em minhas mãos, e cada golpe que eu desferia era um esforço sem par para mim. Nossos adversários, Trolls das cavernas, criaturas de fúria e bestialidade, pareciam saber que eu me mantinha de pé apenas por vislumbrar meu amor, e a atacavam sem piedade.

E eu sofria cada golpe, porque eu não admitiria que nada mais a machucasse.

Nesse fim de tarde, quando todos estavam caídos, e apenas eu e Asami estávamos de pé, cercados por três remanescentes dos Trolls, eu ergui a espada mais uma vez. Um corte amplo, um golpe carregado muito mais de desespero do que de força e técnica.

Esse golpe jogou no chão os Trolls. Esse golpe os decapitou, nos tornando vencedores.

E esse golpe feriu Asami no peito.

Por todo o tempo seguinte, não me lembro bem do que ocorreu. Acho que a falta de visão que meu elmo causava foi uma das culpadas por aquele golpe. Tenho certeza que o desespero foi o ponto chave. Uma espada de dois gumes. Um protegeu, o outro feriu.

Tentei visitar Asami na ala hospitalar, mas uma das clérigas não deixou que eu me aproximasse dela. Tomado por vergonha e desespero, parti.

Vaguei por ruas escuras e becos estranhos. Vesti minha capa de viagem, coloquei alguns suprimentos na algibeira e deixei a cidade pra trás. A espada ficou. Não levaria comigo item maldito, instrumento com o qual profanei meu amor.

Era o fim de meu caminho, eu soube, e, por dias, pela estrada, vaguei.

Era um final de tarde, como aquele final de tarde que pesava no meu peito. Avistei uma caravana comercial. Estavam cercados por goblins, salteadores de estrada. Como aqueles com os quais me deparei ainda criança. Eram, todavia, muito mais goblins do que aqueles que nos haviam atacado, tantos anos atrás. Eram centenas, todos armados, e os guardas da caravana jaziam no solo, mortos.

E, sem pensar, sem espada, sem armadura ou escudo, eu os enfrentei. Havia ali pessoas a serem protegidas, e esse era meu dever. Me isolar e me afastar disso era negligenciar minha própria essência. Como tinha sido tolo. Como pude virar às costas para a única coisa que fazia sentido realmente.

Naquele fim de tarde eu lutei, com nada mais que meus punhos. E após minutos, ou horas, que pareceram dias, os goblins, apavorados e com seus espíritos quebrados, fugiram. Os sobreviventes da caravana saltaram de suas carroças, e, em uma delas, eu a vi.

Asami, com bandagens em torno de seu tronco, suas vestes clericais. Linda, como sempre. Ela me olhava entre um misto de dor, sofrimento, angústia, choro, saudade, sorriso e alegria.

Pensei em me aproximar, mas a mesma clériga que me impediu uma vez estava lá, me olhando com escárnio e reprovação, me impedindo mais uma vez de me aproximar dela.

Então o bardo tocou meu ombro e sorriu, e eu finalmente compreendi. Precisava crescer, precisava sair dali. E se Asami fosse meu amor verdadeiro, então, quando eu retornasse, ali estaria. E comigo iria ficar.

Sorri pra ela, virei as costas e caminhei até o porto, onde o bardo, através de seus conhecimentos, conseguiu para nós um navio e uma tripulação. “Passe alguns meses no mar, e ele lava sua alma” ele me disse.

E, assim, eu me levantei e deixei o vento guiar meu navio, sem certeza de em qual porto queria atracar... Afinal, criança, já fiz isso tudo, e muito mais coisas que não lhe contei, e, pra ti, pareço velho...

Mas a verdade é que tenho apenas 22 anos, e ainda tenho muito mais aventuras pela frente...

Hoje voltei de minha jornada pelo mar, e talvez um dia eu lhe conte minhas aventuras, pois sim, foram muitas. É impressionante a vastidão do mundo, e em cada esquina há uma nova jornada.

Mas se você esquecer tudo o que lhe contei, lembre apenas de uma coisa: O bardo sempre esteve certo. Quando estiver frente a frente com os maiores desafios de sua vida, sorria. Sim, sorria, porque isso tornará esses desafios bem menores.

Sabia das coisas, aquele bardo.


Fim (Por enquanto, rs)


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Bom, é isso aí pessoal! Chega ao fim minha primeira série de contos. Foi uma experiência nova e boa pra mim, afinal, nunca tinha conseguido dar seguimento a mais de um capítulo de texto, rsrs.

Agradeço aos que leram e comentaram. E sim, a história fica um tanto inacabada mesmo, mas minha inspiração-fonte pra esses contos também não chegou ao fim, de forma que daqui algum tempo, talvez esse velho de 22 anos volte a contar histórias para a criança que o ouve (e, muito provavelmente, quando ele voltar terá uns 23 ou 24 anos, rs).

Notei, desde que o blog começou, uma coisa muito importante: Evolução.

Nos comics, principalmente, pude ver o traço de meu amigo Rafero evoluir, pude ver as boas idéias de Mynnsen e Adele.

E reparei também que eu estagnei, tanto na escrita (onde sou pouquinha coisa) quanto nos desenhos (onde sou uma coisa um pouquinho melhor, rsrs). Estagnei e estava faz tempo sem treinar, sem me esforçar, sem aprender.

Por isso, a partir da semana que vem, os contos assumirão uma nova “cara”. Pois eu não quero abandonar a escrita, mas preciso voltar a desenhar.

Espero que tanto as novas histórias quanto as novas roupagens agradem a todos!

Vejo vocês no futuro. o/

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

F$dido pouco é bobagem...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Rolando os Dados



Como lidar com...

Olá mais uma vez, senhoras e senhores roladores de dados! Hoje, como prometido, segue a fase da minha querida coluna, tratando dos tipos peculiares de jogadores e como o mestre (e os outros jogadores) podem se adaptar às características do mesmo.

E hoje, vamos tratar do segundo tipo de jogador mais potencialmente "problemático" (atrás apenas do Apelão). E ele seria... *tambores rufando*


O ADVOGADO DE REGRAS

Sim, senhoras e senhores, porque o RPG, além de ser um jogo de interpretação e imaginação, possui livros e mais livros que tratam das regras do jogo. Regras para criar personagens, para causar dano, para resistir ao dano, para escalar, para cavar, para perseguições de carro, para perseguições à pé, para perseguições de nave, para perseguições onde o perseguidor monta um rinoceronte albino e o perseguido um jumento cinza...

É...são muitas regras, e os jogadores não precisam saber todas!! (Nem o mestre, que fique claro!!).

Mas existe um jogador que tem um prazer sádico e cruel, beirando a insanidade, de ler livros e mais livros de regras, guardando todas elas na sua caixinha de memória. Sim, porque o cérebro do Advogado de Regras, em se tratando do RPG, é uma grande livraria. As regras de GURPS, VAMPIRO, LOBISOMEM, D20, 3D&T... TODAS ESSAS MALDITAS REGRAS estão naquela cabecinha!

Mas tudo bem, isso, por si só, não atrapalharia ninguém. Quer dizer, qual seria o problema de um jogador saber todas as regras?

Bom, existem duas vertentes que podem prejudicar a diversão de todos:

VERTENTE NÚMERO 1 - "Então, se demos cada um três ataques, causando 7, 9 e 6 pontos de dano, sendo dois cortantes e um perfurante, e esse monstro ainda está de pé, isso quer dizer que a redução de dano dele deve ser em torno de 5, e ele deve ter uns 25 pontos de vida"

Viram? Na primeira vertente o Advogado, com seu conhecimento das regras, tira um bocado da surpresa que os jogadores experimentam enfrentando o monstro que o mestre colocou em mesa. Ele pode acabar por reduzir aquele gigante do gelo colossal em um monte de números. Sem contar que o Advogado provavelmente leu o livro dos monstros, então ele sabe exatamente as fraquezas do monstro, e suas invulnerabilidades. Mesmo que seu personagem não saiba, ele acaba revelando essas informações pros outros jogadores, fazendo com que a história fique esquisita.

Me recordo de uma aventura que eu mestrava e os jogadores se viram frente a frente com um Troll (bicho tarimbado de aventuras de RPG medieval fantástico). O jogador que controlava a maga elfa rapidamente "grita" - "Trolls regeneram danos, e só não regeneram danos causados por fogo e ácido!".

(Valeu Fábio...)
Não preciso nem dizer que era a primeira vez que a elfa maga via um Troll na vida. Não tinha nada na ficha dela que lhe dava essa informação. Mas o jogador, um advogado de regras padrão, sabia.

(Mas você esqueceu do arremesso de magia, né, seu apelão, rsrsrsrs)

E então, você me pergunta, o que é legal de se fazer nesse tipo de situação?

Bom, por experiência própria, eu gosto muito de usar o Advogado de Regras ao meu favor (tanto como mestre como jogador). Sim, porque com esse conhecimento de regras, raramente eu preciso consultar um livro (melhor perguntar pra ele direto, ora bolas!)

(Valeu Fábio, suas consultas, especialmente sobre GURPS Magia ajudam pra caramba... tá bom, eu não te odeio... não completamente, hehehehehe)

E, como mestre, nos casos onde quero manter a surpresa pros jogadores, por que não inovar? Digamos, fazer um Troll que seja vulneravel à gelo, ou apenas aos ataques perfurantes?

Monstros com variações são muito bons para deixar inclusive o Advogado com a pulga atrás da orelha. Assim, é diversão pra todo mundo, inclusive pra ele!

VERTENTE NÚMERO 2 - "Ei mestre, olha aqui meu mago-ninja-monge-swashbucler-guerreiro-ladino-de-nível-29-que-mata-com-um-olhar, eu juntei todas as regras e meu adversário não tem direito a teste pra resistir, segundo o livro XYZ, página 435, coluna lateral da esquerda"

Ou "Quando o Advogado vira um apelão"

É... com tanto conhecimento de regras, o Advogado pode ir para "o lado negro da força" e se tornar um apelão. E um apelão de respeito, combinando um imenso conhecimento de regras com a sede incrível de poder.

Cara... por experiência de vida: se o Advogado virou um apelão... desencana, continue sua vida como mestre e faça com que esse ser não estrague a diversão dos outros.

Uma boa idéia seria pedir pro Advogado-Apelão ajudar os outros jogadores na montagem das fichas, fazendo com que a mesa inteira fique apelona.

Assim, o mestre pode apelar também, e o desafio fica o mesmo pra todo mundo. E todos ficam com personagens igualmente fortes, assim ninguém sente seu personagem inferior.

É... usar o Advogado em benefício do grupo (e do próprio mestre) é a idéia que eu mais gosto de aplicar em mesa. Dessa forma todo mundo se beneficia, e o Advogado tem várias oportunidades de utilizar seu conhecimento em prol "do bem".

Bom galera, é isso aí. Espero que a coluna tenha sido elucidativa e divertida.

Ah, se você me perguntar que tipo de jogador eu sou, eu te responderia assim: "sou um advogado de regras misturado com um roleplayer e com toques de um historiador... mas esses dois últimos eu explico nas próximas semanas"

Que vocês rolem bons dados.

o/

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Come IN and play!!!

(Definitivamente, depois de conhecer o pincel, não há mais caneta pra mim...)

Fala, galera!

Depois de um fim de semana meio estranho (círculo vicioso: desânimo me faz não querer desenhar, não desenhar me deixa desanimado e assim adiante), fui salvo do torpor por nossa querida Adele \^^/

Bem, isso me deu uma idéia...
Tá, eu tô roubando a idéia do Piscina, que quer utilizar o Ghadernal (O Ghadernal, assim, sem "sub"(ele ainda não existe(ainda))), para divulgar mangás e webcomics de quem quiser participar.

Eu também quero que o SubGhadernal inspire vocês a criar!

De modo que eu venho aqui, novamente, pedir encarecidamente, não, IMPLORAR que vocês participem de qualquer forma que vocês puderem!

Mas, claro, alguns de vocês têm vida social desde sempre e não tem o costume de desenhar, escrever, ilustrar e etc.

Bom, o que eu posso fazer por vocês é ajudar a criar essas tirinhas simples, já que eu não sei escrever tão bem quanto o Rodox, ou fazer animações como... hã... animadores.

Já vão pensando no tema!
Em breve eu posto os tutoriais ;D


Momento WTF:
Eu tava esperando o CQC começar aqui e no programa anterior tava rolando algo como um "Miss Laje RJ 2009" e a apresentadora toda animada dizendo os prêmios:
"Para o primeiro lugar, um belíssimo carro usado! Mas, para as outras competidoras não se chatearem, também serão distribuídas churrasqueiras, conjunto de roupas e será sorteado um vale-compras de 900 REAIS EM ITENS DE R$1,99!!! ÊEEEEEEEEEEEEÊ!!!"